Açúcar: O vício milenar

Juliana Oliveira 17 de março de 2014 Nutrição 0     Imprimir Imprimir

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Desde o inicio dos tempos o sabor doce agrada ao paladar, há 10 mil anos a cana de açúcar passou a ser cultivada , naquela época comê-la inteira era considerado como um elixir e sua mistura em água algo frequente em rituais. O açúcar processado começou a ser utilizado na Índia, como remédio e também em cerimonias religiosas.

Da mesma forma divina também era utilizado pelos árabes, que aprenderam a incorporá-lo em preparações doces com os persas. Curiosamente, os mulçumanos também o inseriram em seus templos, existindo relatos inclusive de mesquitas feitas de marzipan.

Os primeiros europeus que aderiram a sua utilização foram os ingleses e franceses que o trouxeram do Oriente em sua jornada em busca da Terra Santa, porém por ser considerada uma iguaria, somente os nobres o consumiam, sendo necessária a busca de novas fontes e locais adequados para plantio, já que a cana de açúcar não se adapta bem ao clima temperado. Descobriu-se então que as ilhas do Atlântico (Cabo Verde e Canarias) poderiam ser utilizadas para a produção, nascendo assim a era do açúcar que iniciou a sua produção e consumo em massa.

No Brasil, a cana foi trazida pelos portugueses criando extensas plantações e utilizando mão de obra escrava, levando assim a sua produção em toneladas. O consumo acompanhou a produção e o preço diminuiu, tornando-o assim um dos ingredientes mais utilizados na indústria alimentícia. Assim, é percebida no decorrer dos anos a ingestão cada vez maior, sendo que o brasileiro, segundo pesquisas, consome mais de 50kg por ano, um número alarmante, visto que seu consumo em excesso é um dos fatores predominantes para desencadear diversos problemas à saúde.

Por muito tempo o foco do surgimento das doenças cardíacas foi somente a gordura, entretanto, para alguns especialistas a principal razão é o excesso do açúcar, em especial a frutose, que em combinação com a glicose forma a sacarose (o açúcar de mesa). A glicose é metabolizada de forma rápida por todo o corpo humano, já a frutose é processada pelo fígado e em altas concentrações contribui com a produção dos triglicérides, esse aumento desencadeia doenças no próprio órgão (como a esteatose hepática na qual há o acumulo de gordura no local) e também as doenças cardíacas. Além disso, seu excesso no sangue pode levar à hipertensão e tornar os tecidos mais resistentes a ação da insulina, levando assim ao diabetes.

Ainda sobre seu excesso, uma grande preocupação é seu consumo pelas crianças, que chega a 21 kg por ano, principalmente pelo aumento da presença de produtos industrializados, que abusam da quantidade para conferir sabor “mais agradável” e atraente para esse público, isso contribui com o aumento dos números de sobrepeso e obesidade na infância, desencadeando problemas ainda mais graves com o passar dos anos. Vista a possibilidade de adaptação do paladar, é interessante investir na conscientização em casa e na escola, sendo o segundo de suma importância, pois é o local em que adquirimos grande parte de nossos hábitos.

A vontade de comer alimentos doces e açucarados vem do seu estimulo no cérebro, pois causa sensação de prazer semelhante ao das drogas, portanto, assim como os vícios, não deve ser ignorado. Logo, a diminuição de seu consumo é extremamente benéfica ao organismo pelo desaparecimento da falta de ânimo, que é perdido com o excesso de seu consumo, já que a sensação de ganho de energia é rápida, porém quando passa, deixa o efeito contrário. Além disso, com a adoção de hábitos saudáveis os benefícios à saúde serão notados a curto e longo prazo.

Fonte : National Geographic Brasil / RG NUTRI


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Quem escreveu

Juliana Oliveira

Graduada em Nutrição pela Universidade de Taubaté/2007, especialista em Nutrição Clínica pelo Instituto de Pesquisa do Hospital Albert Einstein/SP; especialista em Nutrição Esportiva pela Universidade Gama Filho/SP.

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